07/02/2016

O Legado de Maurice White

Ao se inspirar nos elementos do seu mapa astrológico para criar o Earth, Wind & Fire, o saudoso Maurice White acabou inspirando o elemento música!
 
 
 
 

Posso dizer que o Earth, Wind & Fire é maior banda black que eu já vi na minha vida. Maior no sentido de melhor porque ninguém fez algo parecido em termos de som. E maior no sentido bíblico porque eu nunca vi tanta gente boa em cima de um palco fazendo música incrível.

Aclamada pela crítica e muito bem sucedida comercialmente principalmente nos Anos 70, a banda foi fundada pelo baterista, maestro, compositor, e vocalista Maurice White tendo como fundamento o Funk mas incorporando Jazz, Gospel, Pop, Psicodelismo e Disco Music.

O Earth Wind & Fire nasceu em Chicago em 1969 quando Maurice White deixou o Ramsey Lewis Trio onde era bateirista, e tocava Kalimba, um tipo piano africano que se toca com o polegar. Ele se juntou ao tecladista Don Whitehead e ao cantor Wade Flemons.

Nascia assim o Salty Pepers que mais tarde Maurice White rebatizaria como Earth Wind & Fire inspirado nos elementos que regiam seu mapa astrológico. Convenceu seu irmão Verdine White para ser baixista da banda e em 1970 lançou seu primeiro álbum.

 
 
 
 
 

Muitos críticos acharam intrigante e ambicioso o som criado por White. Mas os dois primeiros álbuns não tiveram resposta comercial alguma. Insatisfeito com os resultados, Maurice White desmantelou a primeira versão da banda em 1972, mantendo apenas seu rimão Verdine White.

Chamou a vocalista Jessica Cleaves, o saxofonista Ronnie Laws, o guitarrista Roland Bautista, o tecladista Larry Dunn, o percussionista Ralph Johnson, e a novidade mais importante,  o cantor Philip Bailey, dono de uma voz única e de um falsete fora do comum.

O vocalista Philip Bailey deu ao Earth Wind & Fire uma dimensão extra com seu talento para baladas sentimentais, além de ser uma ótima voz para o Funk. Com ele, a banda poderia criar uma harmonia mais suave parecida com o som da Motown que fazia a cabeça da moçada.

Estava aí o Earth Wind & Fire na sua melhor forma. Com os integrantes que fizeram a história da banda. Uma banda com um som diferente, versátil,com arranjos imprevisíveis, cheia de elementos africanos, e de um ecletismo realmente espetacular como uma orquestra sinfônica black.


O Grande Sucesso nos Anos 70


 
 
 
 
 

Depois de emplacar o single "Mighty Mighty" no Top 10 da parada R&B e ganhar Disco de Ouro com o álbum "Open Our Eyes", o Earth Wind & Fire entrou numa escalada de sucesso em progressão geométrica. Que só deu uma folga lá no meio dos anos 80.

Em 1975,Earth Wind & Fire lançou o álbum "That's the Way of the World" que logo de cara emplacou o single "Shining Star" que chegou ao topo dos charts, tornando  o Earth,Wind & Fire uma das grandes estrelas da música Black. Mais tarde ganharia um Grammy também.

O  álbum também foi número 1 nas duas paradas Pop e R&B, e teve vendas multi-platinadas. Sua faixa título, a maravilhosa  "That's the Way of the World", chegou ao Top 5, mesma coisa aconteceu com a baladassa "Reasons" num show de interpetação de Bailey.

Maurice White usou o sucesso e a renda do álbum para desenvolver show ao vivo do Earth Wind & Fire. Um  projeto ousado e extravagante, repleto de efeitos especiais, e acrobacias projetado pelo mago Doug Henning. A banda incluiu a seção de metais dos Phoenix Horns.

 
 
 
 

Dessa turnê saiu o álbum duplo "Gratitude" que praticamente continha as gravações ao vivo da banda e algumas faixas de estúdio como "Sing a Song" e "Can't Hide Love". As duas atingiram o Top 5 assim como a vesão ao vivo da balada "Reasons".

Com dois álbuns número 1 nas costas, o Earth Wind & Fire lançou em 1976 o álbum "Spirit" que cravou o single "Getaway" no topo e em 1977 lançou o álbum "All n' All" que simplesmente tinha a melhor música da banda , a belíssima "Fantasy" e o hit "Serpentine Fire".

Em 1978 a banda lançou a coletânea "The Best Of Earth Wind & Fire Vol1" que foi um dos seus maiores sucessos comerciais. Além de hits conhecido, o álbum trazia simplesmente a inédita "September" e a versão para "Got to Get You Into My Life" dos Beatles.

Em 1979 ainda na Era Disco, a banda  Earth Wind & Fire lançava seu melhor álbum e seu maior sucesso na carreira. O incrível "I Am" que representa o auge do grupo não só em termos de sucesso como também de criatividade. Uma verdadeira coleção de músicas incríveis.

 
 
 
 
 

Além do maior hit da banda, a música "Boogie Wonderland" com o grupo Emotions, "I Am" se deu ao luxo de ainda ter "After The Love Has Gone" que invadiu as paradas e rádios do mundo inteiro e que depois seria intensamente copiada. Divisor de águas no mundo das baladas.

Mas "I Am" ainda reservava músicas absolutamente fantásticas. Como por exemplo "In the Stone" que abria o disco com todas as honras. Um início pomposo anunciava uma quebradeira totalmente irresistível. Fora  "Can't let go", fantástica e frenética bem condizente a época..

Além das freqüentadoras de paradas, ainda tinha um punhado de música boa que na época chamávamos de lado B. Como por exemplo "Star". Introdução belíssima como se fosse outra baladona, mas aí para nossa supresa ela descambava num balanço delicioso.

 
 
 
 

Os Anos 80

Em 1980 a banda de Maurice White lançava o álbum duplo "Faces" que marcou o fim da sequência dos álbuns multi-platinados. Apesar de ser uma peça incrível, "Faces" não teve um retorno comercial fantástico que já tinha se tornado rotina na vida da banda.

Mas "Faces" tem momentos sublimes como na faixa "And Love Goes On", "Sparkle" (uma das melhores da banda), a balada "You" e 'Take Into The Sky". Fora que tem faixas instrumentais interessantíssimas que são momentos de Jazz Funk total, principalmente a faixa título.

Ainda com os ecos do movimento Disco, em 1981 a banda emplacou o hit "Let's Groove" fazendo do álbum "Raise" sucesso. É outro álbum brilhante da banda com músicas do quilate de "Wanna Be With You", " My Love",  "Lady Sun" e principalmente "Evolution Orange", obra prima.

Com uma nítda perda de fôlego, em 1982 o Earth Wind & Fire lançou "Powerlight" que era menos orgânico que os anteriores. Por corte de custos, não havia a participação dos metais mágicos dos Phoenix Horns. Mesma cois aconteceu no álbum seguinte "Eletric Universe".

 
 
 
 

Depois disso Maurice White anunciou uma aposentadoria temporária. Verdine White foi trabalhar como produtor e diretor de videos. E Philip Bailey engatou sua carreira solo bem sucedida muito graças ao sucesso com Phil Collins na patada atômica "Easy Lover".

Porém em 1987 a banda voltou a se reunir. Philip Bailey, os irmãos White Andrew Woolfolk, Ralph Johnson, e o novo guitarrista Sheldon Reynolds deram vida ao álbum "Touch Of The World" que emplacou os hits "Thinking of You""System Of Survival.".

Depois disso foi uma sucessão de álbuns sem menor importância como "Heritage", "Millenium" , "In The Name Of Love", "The Promise", entre outros. Maurice White teve o diagnóstico de "Mal de Parkinson" e parou de fazer shows e se afastou da banda infelizmente até falecer em fevereiro de 2016.

Em 2000, o Earth Wind & Fire foi incluído no Hall Of Fame e em 2003, no Hollywood's Rock Walk pelos inegáveis serviços prestados a música de qualidade. Agora os elementos do signo de Maurice White sempre serão 4: Terra, vento, fogo e música!

 
 
 
 



Sérgio Scarpelli