11/01/2014

Bolacha neles !

Por mais que ainda seja uma participação bem pequena no bolo todo, o velho e bom vinil é o formato que mais cresce no mercado musical.
 
 
 
 

Os números de vendas de música em 2013 foi bem interessante em termos de formato. O "Walking Dead" CD ainda lidera com uma fatia de 54%, enquanto o formato mp3 abocanha 43 % e o vinil fica com seus pequeninos mas muito significativos 3%.

Isso significa que enquanto CD e mp3 perdem mercado, o vinil ganha!  Os mais apaixonados pela velha bolacha dizem que ele vai acabar com o mp3. Mas isso é uma besteira das grandes. O mp3 na verdade vem perdendo mercado para canais de streaming como o Deezer por exemplo.

Quer dizer, a nova onda do mercado é simplesmente ouvir música. E não baixá-las. O cara livra seu HD do peso e continua escutando suas músicas preferidas. Claro que isso é uma leve tendência. Ninguém sabe ainda para onde este mercado vai. Aliás ninguém sabe para onde este mundo vai!

O bom desta história toda é que o vinil vem crescendo e muito. Estão descobrindo que em termos físicos, o som dele é ralmente imbatível. Eu mesmo desencanei do CD e hoje meu mundo musical se resume a Itunes e disco de vinil. Raramente eu compro um CD. E olha que eu tenho 5 mil deles aqui em casa.

Na década de 90 o vinil morreu. Teve velório, missa de sétimo dia, minuto de silêncio e tudo que ele tinha direito. As 33 e as 45 rotações por minuto já eram peças de museu. E o CD começou a reinar absoluto. Bem mais caro. Mas tudo que é caro é bom não é mesmo?

Muita gente se desfez de suas raras coleções. Claro aquilo lá acumulava poeira e ocupava um espaço gigante. Tudo deveria ser compacto daqui por diante. Toca Discos então passou a ser quase que exclusividade dos DJs e viúvos do disco de vinil . Para eles, Elvis não morreu. E um disco de vinil de Elvis menos ainda.

Na verdade a música digital é aquele cara todo certinho, coxinha mesmo. Já o vinil sai pra balada, bebe bastante, fuma, não dorme e é mais bem humorado. Ouvir vinil não cansa os ouvidos graças a irregularidade de sua frequência. Dá pra detonar os graves e agudos porque ele não distorce.

Então, como ninguém quer perder dinheiro neste mundo, as gravadoras voltaram a editar discos em vinil. E o melhor de tudo, um vinil de excelente qualidade, pesadão. E hoje quando você entra numa loja em Nova York, Londres, ou até mesmo aqui no Brasil está lá a seção da velha e boa bolacha à venda.

Ou seja, rei morto, rei posto. Num momento de formatos internéticos, pós Steve Jobs, o vinil continua aí. velhão e vivão da Silva. Com seu som delicioso e sua frequência única. Suas capas que são arte. E sua alma intocável. Talvez, por ironia do destino, o CD e o mp3 morram antes que ele.


Sérgio Scarpelli