22/12/2011

Top 10 – Melhores Álbuns de 2011

Num ano totalmente dominado pela cantora Adele, os ingleses continuam dando as cartas quando o assunto é música boa.
 
 
 
 

Parece ironia do destino. Quando a Inglaterra perdeu sua maior cantora dos últimos 20 anos, outra filha sua brilhou no mundo inteiro dominando os charts, batendo recorde de vendas e se tornando a melhor cantora do planeta. 2011 sem dúvida foi o ano de Adele. Como o álbum “21”ela não só confirmou seu talento absurdo descoberto anos antes, como também deu um salto para se tornar uma estrela inquestionável. Mas a Terra da Rainha Elizabeth II não ficou só nisso não. De lá também surgiu a maior revelação do ano, outra ironia do destino já que foi apresentada por Amy Winehouse. Dionne Bromfield com apenas 15 anos lançou seu primeiro álbum de músicas originais e se mostrou uma verdadeira veterana. Ainda lá pela ilha tivemos os impecáveis álbuns de Ben Westbeech, Smoove & Turrel e Soulpersona. Ou seja só deu Inglaterra. Confira agora a lista com os 10 melhores álbuns deste ano.

1) Adele – 21

 
 
 
 

Adele começou na música já quebrando paradigmas. Mesmo sem lançar um álbum sequer foi agraciada com o Brit Awards com uma música veiculada apenas no seu Myspace. Não se tinha a menor dúvida que aí estava nascendo uma nova estrela. Mas talvez ninguém esperasse um álbum do quilate de “21”. Mais do que cantar de maneira sublime e ter realmente uma voz poderosa, fez um álbum definitivo, mais maduro e bem mais profundo que "19" seu álbum de estréia. Provando que é uma cantora pronta. E continuou quebrando paradigmas. colocando duas músicas "Someone Like You" e "Rolling In The Deep" no Top Five dos singles mais vendidos no Reino Unido. Feito que foi atingindo antes apenas pelos Beatles. Não importa que estilo de música você curte mais. Adele está acima de modismos. Ela agrada em cheio fãs de Soul Music como eu, amantes do Rock & Roll, de música Pop e por aí vai. Adele é madura, tem aparência saudável e guarda até uma certa melancolia das grandes estrelas. Com uma equipe de produção de alto nível incluindo Rick Rubin e Paul Epworth. "21" ainda traz musicassas como "I'll be Waiting", "He Won't Go", "Turning Tables", "Lovesong" e "Take It All". Simplesmente soberbo.

2) Smoove & Turrel – Eccentric Audio


 
 
 
 

Eles são ingleses e brancos mas isso são apenas detalhes. Ao ouvir "Eccentric Audio", da dupla Smoove & Turrell temos o melhor em termos de sonoridade negra da atualidade. Não é a toa que eles são chamados na Inglaterra como "Nu-Northern Soul Boys". Em "Eccentric Audio" eles lapidaram seu som. Atenuaram um pouco os acordes eletrônicos e se concetraram em melodias belíssimas que tem resposta magnífica na voz de Turrel. A gente sente a Black Music dos Anos 70 mas sente nuances de Massive Attack também. Ou seja, o som de Smoove & Turrell é original e criativo. Mesmo carregando elementos de muitas coisas que a gente já ouviu, ele traz aquele frescor de som novo. Fora que uns aninhos a mais nas costas fez bem a dupla que se apresenta mais focada no que quer passar. Destaque maior para  single "Slow Down" que é a materialização de tudo isso que estou falando. Outras maravilhas são  "In Deep", "I Need A Change", "Broke”, "It's Falling In Love", "Money", "Wasted Man" e "Don't Let It Go To Your Head". Ou seja, "Eccentric Audio" é o álbum Soul do ano.

3) Jill Scott -  The Light Of The Sun

 
 
 
 

A brilhante  cantora e poetisa Jill Scott voltou com tudo em 2011 com o álbum "The Light Of The Sun", o primeiro sob a chancela da Warner. Ela retomou a velha forma e recuperou seu fôlego. Como ela mesmo disse "The Light Of The Sun" é refrescante, quente e revelador. Há um pouco de Jazz, Funk e definitivamente a velha escola do Hip-Hop. Alguma poesia, alguma sensualidade e vulnerabilidade. No popular é um discasso de Soul Music. Jill Scott se mostrou também reluzente como pessoa. Há indícios de felicidade em todas as faixas. Fora que a própria figura de Jill Scott, bem mais magra, deixa o recado que ela está de bem com a vida. Jill Scott vem das melhores escolas da música negra que é a cena da Filadélfia.  E é exatamente calcada neste pilar que Jill Scott fez "The Light Of The Sun". É um álbum essencialmente Old School mas que carrega elementos da música atual. Não há em nenhum momento algum sentimento de nostalgia. É diversão pura do começo ao fim. A melhor música do álbum  é "So In Love", que ela canta num dueto fantástico com Anthony Hamilton. Ainda temos "Shame", "Blessed", "So Gone (What My Mind Says)", "Hear My Call". Tudo muito ótimo!!!

4) Ben Westbeech –  "There's More To Life Than This"


 
 
 
 


Ben Westbeech decidiu mudar seu som. Um som mais dance, muito próximo do que faz o Jamiroquai. E assim nasceu o impecável álbum "There's More To Life Than This". Ben Westbeech foi esperto e se cercou de grandes produtores da cena européia. É realmente um Dream Team com Georg Levin, Lovebirds, Chocolate Puma, Danny J Lewis, Motor City Drom Essemble, Rasmus Faber, Midland e Henrik Schwartz. E o resultado é soberbo. Um álbum dançante e de qualidade com um Ben Westbeech muito confortável a frente de cada música. Para se adaptar a vertente, Ben Westbeech chegou a ficar um ano ao lado dos produtores. E ele se mostra um vocalista "Soulful" na essência. Parece que nasceu para cantar House. Outro detalhe importante é que Ben Westbeech prova uma tese que eu defendo há muito tempo de que não importa se a música é eletrônica ou orgânica. Importa sim se ela é boa ou ruim. Destaques para"Falling" produzida pelo Lovebirds e a melhor faixa do álbum "Something For The Weekend" produzida por Danny J Lewis. E ainda tem "The Book" e "Let Your Feelings Show"  ambas produzidas  por Georg Levin, "Same Thing" produzida por Chocolate Puma e "Butterflies" de Rasmus Faber.

5) Soulpersona – The Lapdancer


 
 
 
 

O produtor ingles Soulpersona voltou em 2011 ao lado de sua diva maior, a cantora e compositora australiana Princess Freesia. Ela canta e é co-autora de todas as faixas. E mais do que isso criou toda uma história por trás de "The Lapdancer" que o álbum funciona como uma trilha sonora de um filme imaginário estrelado pela loirassa aí de voz forte. Nas 15 faixas, o álbum conta uma história sexy e decadente e bastante perturbador para uma sociedade aristocrata. Musicalmente o álbum tem a assinatura inconfundível de Soulpersona que a partir do Jazz e da Soul Music, ele recria aqueles delicosos Rare Grooves da década de 70 e 80 principalmente nas faixas mais Uptempo. Ou seja, o produtor contraiu a febre Disco. O álbum realmente é brilhante. Começando pela faixa "A Girl's Gotta Get Her Lovin"com um baixo estonteante bem estilão Disco. Outras maravilhas de grooves são "I Got Into This Mess" e "Stretched Thin", "Make That Money", "Avalon", "Ava's Fantasy" e "Coochie"  e as baladas realmente incríveis "Ultrasuperlove" e "She Is". Isso sem falar nas temáticas "The Lapdancer Theme" e "Introducing". Tudo realmente de tirar o fôlego.

6) Dionne Bromfield – Good For The Soul

 
 
 
 

Sem dúvida a prodígio inglesa Dionne Bromfield é a grande revelação da música negra em 2011. E não preciso mais me referir a ela como afilhada de Amy Winehouse. Ela é Dionne Bromfield e ponto. Uma nova grande estrela. O que mais me impressiona em Dionne Bromfield nem é o fato que ela começou sua carreira com apenas 13 anos. Mas é o jeito que Dionne Bromfield canta. Sua postura é de veterana diante do microfone. E com  "Good For The Soul", se mostrou pronta para a briga. Deixou de ser revelação do Youtube para se tornar artista de verdade. Mesmo contendo ainda alguns covers, a postura do álbum é bem diferente do primeiro. É para ser jogado no mercado sem mais aquela intenção de curiosidade. E para isso tem canções de compositores de peso como Steve Booker e Paul O’Duffy e a produção de Jon Moon. O álbum tem momentos simplesmente sublimes como na faixa "Remember Our Love". Não tenho medo de dizer que trata-se da melhor música Soul do ano. Outro momento soberbo é na faixa "If That's The Way You Wanna Play". Destaco também "Yeah Right" , "Foolin" Get Over it", "Good For The Soul", "Ouch That Hurt", "Tto Soon To Call It Love", "Get Over It" e "In Your Own World".

7) Shuya Okino – Destiny


 
 
 
 

Sempre que faço esta lista de melhores do ano, tem sempre um álbum que é escalado aos 45 minutos do segundo tempo. E em 2011 foi a vez do álbum “Destiny “do produtor japonês Shuya Okino. Velho conhecido de outros carnavais com o seu Kyoto Jazz Massive. “Destiny" é um álbum simplesmente impecável. Um dos melhores do ano em termos de groove definitivamente. Shuya Okino afastou um pouco as nuances de Brooken Beat tão presentes na obra do Kyoto Jazz Massive. Ele aposta mesmo no velho e bom Acid Jazz e na House. Vertentes que tem a música black como sustentáculo. N’Dea Davemport escalada em três faixas escancara a fonte que Shuya bebeu para fazer “Destiny”. Ou seja, Funk, Soul, Disco e Boogie com lampejos de Jazz dão o tom ao álbum. Completam o excelente casting de vocalistas Navasha Daya do Fertile Ground, Diviniti que como o próprio nome indica tem uma voz divina e Pete Simpson, Destaques para “Still In Love”, Give Your Love A Chance”, a melhor de todas,,“Sun Will Rise”,“Look Ahead' e “Let Nothing Cange You”. Só para citar algumas já que o álbum é 100% brilhante.

8) SuperPaolo – Funky Scanner


 
 
 
 

Sem querer fazer trocadilhos e já fazendo o projeto SuperPaolo do produtor Paolo Guglielmino é um super projeto de Funky Groove. Reúne músicos de primeira linha no álbum "Funky Scanner". Tem John McKenzie que já fez várias linhas de baixo para o Earth Wind & Fire, o pianista Albert Bof que trabalhou com Wayne Shorter,  o baixista Martino Roberts e o bateirista Federico Lagomarsino que são velhos de guerra da cena funk italiana. Paolo Guglielmino criou uma atmosfera vintage e um certo sabor Ítalo Disco, mas em nenhum momento chega a ser algo datado. Ele mistura na dose exata instrumentos reais com peripécias eletrônicas e o resultado são músicas muito bem acabadas e definidas. Destaque 5 estrelas para as músicas "Don't You Know I Love You Girl" e "Summertime Craze". Realmente estão entre os melhores grooves que eu ouvi neste ano. É resgate total da Disco Music mas na medida exata, sem qualquer tipo de exagero ou nostalgia. Outras maravilhas são os funkassos "It's Burning", "Down To The Bone" e "Rock Is Bad". Enfim, discasso que vale a pena.

9) Amalia – Art Slave

 
 
 
 

Amalia sem dúvida é outra grande revelação do ano de 2011. Apesar de ser sueca, ela encarna o papel de Diva Negra e arrebenta tudo em “Art Slave". Com um timbre muitas vezes parecido com Chaka Khan, ela já está sendo reverenciada como a sucessora da diva americana. Exageros a parte, Amalia é realmente sensacional. Em "Art Slave" ela retoma aquela sonoridade dos anos 80, onde a descoberta de elementos eltrônicos dava o tom aos Grooves. A primeira sensação que tive ao ouvir o álbum inteirinho foi que estava diante de um novo "Rhythm Nation 1814" (álbum célebre de Janet Jackson) tamanha são as referências. Aquela Black Music mais pop com  estridentes recursos eletrônicos que se chamava New Jack Swing. "Art Slave" é um ótimo álbum. Alegre, dançante e colorido. Exala paixão e muita energia em cada faixa . É um Funk bem trabalhado e que sai fora do lugar comum. Destaques para as faixas “Bonafide”, “Luxurious”, “Life’s A Dance’, “Welcome To Me” e “I’m The Woman".

10) Dogo Argentino – Disconautik


 
 
 
 

O Dogo Argentino é um banda, banda mesmo, de Disco Music criada na Croácia. Formada pelos músicos Nemanja na bateria, Zwomba no baixo, Balatz na percussão, Danchee no trompete, Frco no tromobone,  Bradavrbn na guitarra, Moreno nos teclados. e o trio de vocalistas Adrey, Zmaya e Layla. Está certo que o mundo hoje em dia é um lugar sem fronteiras. Mesmo assim jamais pensei um dia curtir uma banda da Croácia. Ainda mais com um nome como Dogo Argentino e que faz Disco Music. E Disco Music das boas com direito a instrumentação orgânica, vocais negros e arranjos com os dois pés no anos 70. Tudo isso você pode conferir no álbum "Diskonautik" chancelado pelo selo grego Timewarp Music, que diga-se de passagem não erra uma sequer. O álbum "Diskonautik" tem momentos realmente incríveis como na faixa "2 Minutes 2 Midnight" , a paulada "Senses", os funkões "Destiny",  "Mr Groove", "Dirty" e "Daddy". Ou seja, pra quem é fã de Disco Music e música Dance inteligente e bem tocada, é um álbum obrigatório.

Single do ano

 
 
 
 

Não é porque o produtor e multi instrumentista francês Dilouya não lançou seu esperado álbum em 2011, "Dilouya’s Faithful Circus" que ele não mereça o destaque nesta seleta lista. Simplesmente ele produziu o melhor single do ano, a música "The Way It Goes" que é algo de sublime neste mundo da música. É daquelas músicas perfeitas com tudo no lugar. A instrumentação, os arranjos e a melodia. Fora que ainda conta com o talento do cantor John Turrell que para mim é uma das melhores vozes soul da atutalidade e também da cantora francesa Sandra Nkake, uma desconhecida até então, mas que começa a brilhar graças a um poderio vocal também único.E não é só isso, Dilouya montou uma senhora banda não só para este single, como para todo o álbum prometido para o começo de 2012.


Sérgio Scarpelli