22/01/2012

Toque de Midas

Praticamente tudo que Quincy Jones colocou a mão foi bom e fez sucesso tornando-o um dos maiores nomes da música e do entretenimento
 
 
 
 

A sensação que eu tenho ao revisistar a carreira de Quincy Jones é que quando ele chegar na porta do céu Deus olhará bem para seus olhos e dirá o seguinte: "Cara, você não tem o que reclamar!". Realmente teve uma vida vitoriosa em tudo que se propôs a fazer.

É talvez o maior produtor musical da história com números realmente impressionantes. Só produzindo Michael Jackson pra ter uma idéia, ele chegou a cifra de 150 milhões de álbuns vendidos. Fora outros nomes de peso que ele fez parceria como Frank Sinatra, George Benson e outros.

E Quincy Jones não foi um produtor que chegou ao estrelato de uma hora para outra. Ele teve uma trajetória realmente expecional antes de deitar-se em berço esplêndido. Desde de sua juventude ao lado de Ray Charles  e outros mosntros sagrados do Jazz, até os dias de hoje.

 
 
 
 

Quincy Jones também conseguiu ao longo de toda sua carreira fazer crossovers bem sucedidos e ser respeitado em várias vertentes musicais. Se deu bem com o Jazz, com o Funk, com o R&B, com a Disco e com a música Pop, sem jamais ter seu talento questionado.

E Quincy Jones também foi um cara a frete do seu próprio tempo. Sempre foi um artista multimídia por excelência. Não ficou só restrito a música em si, mas também passeou pelo cinema, pela televisão, pela mídia impressa lançando a revista Vibe para os negros.

E quando ainda nem se sonhava em ter Internet ou Celular, conseguiu conectar o mundo inteiro com uma mensagem humanitária para acabar com a fome na África. Produzindo "We Are The World", Quincy Jones chegou ao topo do mundo e não saiu mais de lá!

O Sucesso com Michael Jackson

 
 
 
 

A história de Quincy Jones e Michael Jackson começa bem antes de 1982, ano do lancamento de "Thriller . Voltemos para 1978 com a produção do filme "The Wiz". Uma adaptação de um musical da Broadway lançado em 1975, que recontava a história do Mágico de Oz,

Só participaram atores e cantores negros.  No cinema a produção teve a assinatura da gravadora Motown. E foram escalados para o elenco Diana Ross e Michael Jackson, entre outros.  A trilha sonora ficou por conta de Quincy Jones. E é aí que começava a maior parceria da música.

O inesperado sucesso do álbum "Destiny" dos Jacksons fez a Epic dar carta branca a Michael Jackson para produzir o seu primeiro álbum solo em idade adulta. Michael Jackson e Quincy Jones então começaram a produzir "Off The Wall", a obra prima do Rei do Pop em termos musicais.

 
 
 
 

"Off The Wall" causou furor entre o público e a mídia especializada. A mistura de black music e disco do álbum tornou-se referência nos anos que se seguiram e se tornou o álbum de black music de maior sucesso na história. "Off The Wall" já colocava Michael Jackson em outro patamar. I

3 anos depois  de Off The Wall, a Epic pressionou tanto Jones quanto Jackson a fazer mais um disco. Na verdade deram 3 mêses para que fosse produzido. Quincy Jones pediu então mais 3 meses. Ou seja, o maior álbum da história teve apenas 6 mêses de produção.

Eles foram inteligentes e mativeram o mesmo time de "Off The Wall" e em 1º de dezembro de 1982 "Thriller" finalmente chega as lojas já com cara de antológico. E Billie Jean tocando nas rádios. Alcançou logo o primeiro lugar entre os discos mais vendidos e permaneceu por lá durante 37 semanas.

 
 
 
 

Os números de "Thriller"são impressionantes. Foram 104 milhões de cópias vendidas, 132 semanas em primeiro lugar, 97 prêmios, 8 Grammys no mesmo ano, 37 semanas como o disco mais vendido (Recorde até hoje) e  14 milhões de VHS vendidos do Videoclip Thriller.

Em 1987 Quincy Jones produziu "Bad", que foi o último desta incrível parceria com Michael Jackson. Apesar de não chegar ao sucesso de "Thriller"e muito questionando "Bad" vendeu mais de 30 milhões de cópias e hoje é reconhecido como um dos grandes álbuns da vida de Jackson,

Michael Jackson tinha um talento descomunal, era um artista fora da curva e já fazia sucesso mesmo antes de conhecer Quincy Jones. Mas esta parceria guiou os passos musicais de Jackson tornando-o mais que um ídolo pop. Mas uma lenda da música.

50 Anos Incríveis

 
 
 
 

Quincy Jones nasceu em Chicago em 1933 e já aos 10 anos de idade tinha maior intimidade com a música tocando trompete. Ao lado de Ray Charles na juventude começou a tocar em casamentos e clubes de Jazz. Mas foi aos 18 anos que Quincy Jones deu uma virada na vida.

Largou a escola e se juntou ao lendário bandleader Lionel Hampton e saiu pela estrada. Foi nesta fase que se descobriu um arranjador com um talento incomum. Mudou-se para Nova York e começou a trabalhar com  pesos pesados com Sarah Vaugan, Count Basie e Duke Ellington.

Nos anos 50 se juntou com Dizzy Gillespie e viajou pelo mundo até decidir morar em Paris e para ser diretor musical da Barclay Disques, distribuidor da Mercury Records na França. Depois de alguns tropeços, voltou para os Estados Unidos e se tornou VP da Mercury em 1964.

 
 
 
 

Logo depois a convite do diretor Sidney Lumet, Quincy Jones entrou definitivamente no cinema compondo a trilha sonora do filme The Pawbroker. O sucesso foi tanto que ele saiu da Mercury e se  mudou para L.A. dedicou ao trabalho de compor trilhas para Hollywood.

Foram 33 ao todo com grande destaque para a trilha do filme "A Cor Púrpura " de Steven Spilberg. Também começou a trabalhar na televisão fazendo mutio sucesso principalmente com a trilha do programa "Bill Cosby Show". Como eu disse, um cara multimídia por excelência.

Ao mesmo tempo Quincy Jones continuou fazendo arranjos para artistas graúdos como Miles Davis, Frank Sinatra, Ella Fitzgerald, Peggy Lee, Aretha Franklin e Dinah Washington. Isso sem contar que seu trabalho solo também  deu uma ginada e era aclamado por todos.

 
 
 
 

Alguns como "The Dude"de 1981 por exemplo, simplesmente se tornaram sucessos multiplatinados com vários hits desfilando pelos chats americanos e mundiais. Seu trabalho com George Benson em "Give Me The Night" também rendeu a Jones cifras milionárias.

Quincy Jones foi indicado simplesmente a 70 prêmios Grammy, abocanhando 27 deles. Não é só o maior produtor da história em números, mas um dos mais respeitados. Sempre esteve do lado de gente muito talentosa que reconhecera em Jones o verdadeiro Toque de Midas.

 
 
 
 


Sérgio Scarpelli