14/03/2012

Novo Incognito é Surreal

Mesmo com mais de 30 anos, a banda inglesa consegue supreender com novo álbum e mantém inabalável seu compromisso com a boa música.
 
 
 
 

Talvez o maior gancho para falar de "Surreal", novo álbum da banda Inglesa Incognito lancado em 27 de março, seja a mudança no time de vocalistas onde não vemos os costumeiros Tony Momrelle, Imaani, Joy Malcolm e sim, os estreantes Natalie Williams e Mo Brandis.

Mas já vou logo logo avisando que a grande música do álbum é com a velha e boa Maysa Leak. Com um baixo estonteante na levada de "Going Back To My Roots" do Odissey, "The Less You Know"  mostra um Incognito inspirado e pronto para brilhar novamente.

Vou mais além "The Less You Know" talvez seja a melhor música do Incognito em sua história mais recente, depois do seu auge no movimento Acid Jazz. Exatamente porque ela resgata aquele espírito original da banda que bebia na fonte do Jazz Funk para fazer seu groove.

E "Surreal" é exatamente assim. É Jean Paul Bluey Maunick na veia. É Incognito de fiu a pavio. Por isso até seja um álbum surpreendente principalmente para quem acompanha a história da banda desde o começo como eu. Aquela coisa mais pop do último álbum ficou pra trás.

Como todo bom álbum de groove black, a linha de baixo predomina durante o disco todo. São músicas bem feitas e bem construídas, e que não deixam dúvida de onde sua sonoridade vem. A seção de metais inconfundível e as melodias ricas são marcas registradas da banda.

Outra coisa que me deixou com um sorriso de orelha a orelha é que quando tentou dar frescor a banda, Jean Paul acertou em cheio escolhendo um cantor como Mo Brandis que tem uma voz forte e diferente para os moldes da banda. Ele é algo de absurdo de bom.

E isso a gente já sente logo na segunda faixa, a sublime "Goodbye Yesterday"que reúne todos os elementos conhecidos do Incognito nestes seus mais de 30 anos de estrada, mas estão dispostos de uma forma mais moderna principalmente pelo timbre de Mo Brandis.

Ou seja, "Surreal" não deixa você respirar e já emenda logo com a bela "Above The Night" que traz a cantora inglesa Natalie Williams que tem uma voz simplesmente deliciosa. Ela já famosa na cena Soul/Jazz britânica caiu como uma luva na banda.

E na quarta faixa, a mais supreendente pra mim, Jean Paul evoca os deuses da Disco Music com "Ain't it Time" com Vanessa Haynes encarnado o espírito de Loleatha Holloway. Ou seja, só estas 4 músicas já fazem de "Surreal", o álbum mais Incognito dos últimos tempos.

Mais ainda tem outros destaques como a estonteante "Don't Wanna Know" novamente com o ótimo Mo Brandis.E ainda "Don't Break Me Down" que é um Incognito desde criancinha e novamente com Vanessa Haynes brilhando como nunca nos vocais.

E ainda de  quebra temos mais um canja de Maysa Leak em "Capricorn Sun" que é outra música deslumbrante e que prova que Incognito e Maysa foram feitos um para o outro. Impressionante como casa perfeitamente. Enfim, "Surreal" faz muito jus ao seu nome.

Melhor álbum do ano até aqui. Altamente recomendado!


Sérgio Scarpelli