11/09/2013

Janelle Fascinante!

No incrível Eletric Lady, Janelle Monáe consegue mostrar todo seu talento, audácia e modernidade com profundo conhecimento das raízes da música negra.
 
 
 
 

Talento por si só não expressa o tremendo fascínio que Janelle Monáe exerce, por mais que ela tenha uma abundância dele. Nem seu carisma, sua personalidade, seu visual agradável ou seu ecletísmo. Janelle Monáe entende muito de música e conhece profundamente suas raízes. Aí está o segredo.

Diferente de outros ícones pops da atualidade que apostam todas suas fichas no que não é música e sucumbe esta parte a um mero detalhe, Janelle Monáe coloca sua razão de ser em primeiro lugar. Tanto que mesmo com colaboradores do quilate de Prince e Erikah Badu por exemplo, quem brilha é ela.

Claro que ela carrega todos os elementos de uma carreira pop atual. Ela é exótica, capricha nos seus videos, nas suas relações públicas e no marketing, mas há muitas cerejas neste bolo todo e é neste ponto que ela se diferencia. Janelle Monáe é muito mais musical do que teatral.

Ela já tinha dado este recado tanto no seu EP de estréia "Metropolis"e no seu primeiro álbum "The ArchAndroid" que realmente têm momentos de rara beleza musical e apesar de todas as pompas pops, se trata essencialmente de música negra da gema. Ela não que ser nem Madonna e muito menos Beyoncé.

Outro fato que corrobora a favor da nova musa negra é o fato de suas apresentações ao vivo serem algo realmente eletrizantes e memoráveis. Ela é uma mulher encantadora e uma artista inata que transcende sua própria época com elementos puramentes retrô e ao mesmo tempo inéditos.

Agora Janelle Monáe deu o toque de mestre em sua incipiente e bela carreira. Lançou o seu segundo e super aguardado álbum "The Eletric Lady" que é simplesmente fascinante. Ele consegue de forma conceitual unir tudo o que há de mais moderno com uma tremenda bagagem musical.

Até eu que sou realmente um fã confesso da cantora me surpreendi tamanha a qualidade do álbum. Tem no mínimo 6 faixas outstanding. E outra coleção de faixas acima da média. Ou seja, arrisco a dizer que estamos diante do melhor álbum do ano e um dos melhores da música black dos últimos tempos.

E não é exagero nenhum. O álbum é impecável. Tem uma sonoridade rica e única. Uma produção cuidadosa e uma musicalidade fora do comum. "The Eletric Lady" é delicioso do começo ao fim. É R&B e Soul na veia com alguns toques de Jazz e Gospel. Mas sua aura é urbana e atemporal.

Há tanta coisa pra se deliciar em "The Eletric Lady" que você até chega esquecer que tem um Prince, Mario, Esperanza Spalding, Solange e Erikah Badu no meio. Mas tem e é tudo muito audacioso. Janelle casa bem com todos eles e parecem que foram feitos um pro outro desde sempre.

Mas o que mais me impressionou são as influências que Janelle Monáe carrega para dentro do álbum. Você sente a presença desde Stevie Wonder até Jackson 5. Monáe amadureceu muito como um compositora e deixou aquela faceta roqueira que aparece às vezes em "The ArchAndroid".

Como ela mesmo disse em recente entrevista seu maior objetivo é transformar o R&B. Eu estou ali com ela, torcendo junto. No entanto, este seu escudo não é tão impenetrável para o ouvinte casual. Porque no fundo no fundo, apesar de todas as pompas, o álbum é de uma simplicidade impressionante.

Como eu disse antes, "The Eletric Lady"tem 6 faixas 5 estrelas. Começo falando da faixa título que Janelle divide os créditos com Solange (a irmã talentosa e menos gostosa de Beyoncé). A música é um R&B apurado com uma melodia bem construída e perfomances cirúrgicas das duas estrelas negras.

Uma das minhas preferidas é a balada "It's Code" que me remeteu imediatamente os Jackson 5. Vislumbrei o Michael Jackson criança cantado esta música. Nela Janelle Monáe mostra que é uma exímia cantora black e que de certa forma a Motown fez parte de sua bagagem para construir sua carreira.

Outras duas baladas estonteantes são "Dorothy Dandridge Eyes" com Esperanza Spalding que é Soul até o osso. Tem influências de Quincy Jones no arranjo e é uma música belíssima e deliciosa. O remake de "Can't Leave Without You"é outro caso seríssimo. Janelle Monáe praticamente reiventou a música.

A faixa "Ghetto Woman" é aquela que você sente a presença espiritual de Stevie Wonder nos arranjos. É um tremendo balanço, com uma melodia emocionante e um pianinho esperto. A minha preferida é "We Were Rock 'n' Roll". É a "Locked Inside" de "The Eletric Lady" Uma das melhores músicas de 2013.

Se não bastasse o beat irresistível e a divina Janelle, temos ainda um coral Gospel abraçando trechos da música. Um escândalo!. Outros destaques são as faixas "Q.U.E.E.N"com Erikah Badu (veja o video http://t.co/CBSmV5vUkp) e "Dance Apocalyptic (veja o video http://t.co/mEUFj758Z1).

Isso sem falar de e "Givin Em What They Love" com Prince. Forte candidato a álbum do ano. Altamente recomendado.


Sérgio Scarpelli


Ouça as faixas de "The Eletric Lady" aqui https://t.co/JmXQZbJ7NY