16/12/2013

Top 10 - Os Melhores Albuns de 2013

O Daft Punk dominou a cena musical neste ano, resgatando não só o lendário Nile Rodgers, a boa Dance Music, como também o próprio conceito de álbum.
O ano de 2013 foi execelente para a música. E quando eu falo de resultados não é só pela enorme quantidade de músicas boas lançadas, mas o quanto estas músicas boas fizeram sucesso. Tivemos o exemplo do Daft  Punk que dominou a cena musical com seu incrível "Random Acess  Memories". Um álbum surpreendente que resgatou até o conceito de álbum e que bateu recordes. É o vinil mais vendido da história da Amazon por exemplo. Outra boa surpresa foi Robin Thicke que  fez um strike no mercado com a seu "Blurred Lines". Isso sem  falar na volta de velhos conhecidos como Ledisi, Mario Biondi, John  Legend, Janelle Monáe e Brand New Heavies que não perderam a velha grande forma. E  supresas como a camaronesa Ntjam Rosie, a inglesa Helena Jesele e a canadense Maylee Todd. Enfim um ano rico em músicas e um mercado cada vez mais maduro pela invasão digital. Eis a minha lista:

1) Daft Punk - Random Acess Memories

 
 
 
 


O álbum "Random Acess Memories" não é só o melhor álbum do ano. É uma carta de amor ao passado. É reutilizar o que era mais precioso na música que é a sua alma. Quando eu ouço os acordes da guitarra de um Nile Rodgers numa música tão atual quanto a do Daft Punk, encaro como um poema sonoro. Não é saudosismo. Realmente os Anos 70 foram muito ricos. E a música Disco foi uma inovação que não tem tamanho. Ela é o alicerce  de muita coisa que se tornou comum. Desde os desbravadores da  Filadélfia, até a febre mundial. O Daft Punk se apercebeu disso e fez um álbum brilhante. Olhou lá pra  trás para fazer uma música a frente do seu próprio tempo. Quando escalou um Nile Rodgers ou um Giorgio Moroder para colaborar, simplesmente se curvou a dois dos maiores produtores da história da música. O Daft Punk se rendeu ao óbvio e fez história. Parabéns a dupla  Guy-Manuel e Thomas Bangalter.  Destaques para s faixas "Get Lucky", "Get Life Back to The Music", "Lose  Yourself to Dance"  e "Giorgio By Moroder”.


2) Janelle Monáe - Eletric Lady


 
   
 

Janelle Monáe
deu o toque de mestre em sua incipiente e bela carreira com seu segundo álbum "The Eletric Lady" que é simplesmente fascinante. Ele consegue de forma conceitual unir tudo o que há de mais moderno com uma tremenda bagagem musical. A qualidade do álbum é inegável. Tem no mínimo 6 faixas outstanding e outra coleção de faixas acima da média. O álbum é impecável e delicioso do começo ao fim. É R&B e Soul na veia com alguns toques de Jazz e Gospel. Há tanta coisa pra se deliciar em "The Eletric Lady" que você até chega esquecer que tem um Prince, Mario, Esperanza Spalding, Solange e Erikah Badu no meio. Mas tem e é tudo muito audacioso. Impressiona as influências que Janelle Monáe carrega para dentro do álbum. Você sente a presença desde Stevie Wonder até Jackson 5. Destraques para a soberba faixa título, "It's Code",  "Dorothy Dandridge Eyes", "Ghetto Woman" e "We Were Rock 'n' Roll".

3) Robin Thicke - Blurred Lines

 
 
 
 

Um álbum que carrega um hit do tamanho de "Blurred Lines", que além dos milhões de downloads no Itunes, tem a marca de mais de 200 milhões de views no Youtube, já merece toda a nossa atenção. Mas o álbum de Robin Thicke é muito mais que essa música. O groove corre solto numa produção impecável de Pharrel Williams que está numa fase exuberante e com o dom de toque de midas. Ou seja, o álbum "Blurred Lines" rega nossos ouvidos com uma fusão moderna de Funk e Soul, e algumas pitadas Pop. Quem não entende muito bem o inglês vai adorar este álbum de paixão. É um álbum delicioso pra sacudir o esqueleto. Destaque lógico para a faixa "Blurred Lines", Ain't No Hat That", "Get In My Way", "Top of the World ", "Feel Good". E a incrível "Ooo La La" que tem toda uma inspiração nos hits da Motown e é uma quebradeira só. É um discasso!

4) The Brand New Heavies - Foward

 
 
 
 


Realmente o som inventado pelo trio Jan Kincaid, Simon Bartholomew e Andrew Levy continua um bálsamo para os ouvidos sedentos pelo bom groove. E "Foward" é um autêntico Brand New Heavies. Tem todos os elementos que consagraram a banda na sua trajetória como o Funk, Jazz, Soul e Boogie, executados de maneira orgânica sem muita parafernália eletrônica. Acrescente a esta fórmula altas doses de Disco Music.
Quanto aos vocais aí o assunto fica muito sério. Em duas faixas "Sunlight" e "Addicted" temos a formação ideal e consagrada do The Brand New Heavies. No resto das faixas Jan Kincaid e Simon Bartholomew dão uma canja em três delas, e temos a novata vocalista Dawn Joseph que é uma grande revelação diga-se de passagem. Destaques para a faixa "Sunlight", "Lights" , "Heaven" ,"Do You Remember", "Addicted", "A Little Funk In Your Pocket",  Isso sem falar na própria "Foward" que tem uma pegada MFSB. Um dos melhores álbuns de toda carreira do The Brand New Heavies.

5) Mario Biondi - Sun

 
 
 
 


E já se passaram mais de 9 anos desde que o famoso Norman Jay da BBC1 tocou pela primeira vez "This Is What You Are" que além de uma pegada Soul/Jazz matadora trazia nos vocais um cara com uma baita voz que fazia lembrar ícones da Soul Music como Barry White, Isaac Hayes e Lou Rawls. O cantor era ninguém menos que o italiano Mario Biondi que lançou em 2013 o álbum "Sun" que é sem dúvida o álbum  de sua vida e mostra sua grande fase como artista. "Sun" consumiu dois anos de trabalho de Mario Biondi. Gravado em Milão, Los Angeles, Nova York e Londres, tem a produção impecável de ninguém menos que Jean Paul "Bluey" Maunick que talvez seja o grande responsável por esta fase exuberante do cantor italiano. Ainda nos créditos temos Jan Kincaid (TBNH), Al Jareau, James Taylor (JTQ), Omar, Leon Ware e Chaka Khan como colaboradores. Destaque para as faixas "Shine On", "What Have You Done To Me", "I Can't Read Your MInd", "Deep Space", "Come To Me", "Catch The Sunshine"e a conhecidíssima versão de "Lowdown" com Chaka Khan. Imperdível

6) Ntjam Rosie -
At The Back Of Beyond

 
 
 
 


A supresa mais  deliciosa do ano foi a cantora camaronesa Ntjam Rosie. Não que ela seja uma estreante pois seu novo álbum "At The Back Of Beyond" é o terceiro de sua carreira. Ntjam Rosie é tudo de bom. Se os deuses africanos tem uma voz, com certeza é a dela. Seu timbre é suave mas ao mesmo tempo tem uma senhora potência. Ela canta com uma leveza de um anjo e você realmente viaja cada vez que esta menina solta a voz. É realmente linda.
"At The Back Of Beyond" é um álbum edificante, brilhante e autêntico. Ele leva você a uma viagem espiritual com uma mensagem de amor implícita. Ele faz você se sentir parte da música com mensagens simples mas valiosas. É coração puro.É direto, aberto e simplesmente feliz.
Destaque 5 estrelas para a lindíssima "Thinkin'About You". Uma música leve, deliciosa com uma mensagem simples de amor. Outras maravilhas são "Keep The Faith", "Let Go",  "In The Middle", "Live & Learn", "Made" e "Love Is Calling". Magnífico!

7) Maylee Todd - Escapology

 
 
 
 


Outra grata surpesa de 2013 foi a cantora canadense Maylee Todd com seu jeito alegre e irreverente.
Uma artista completa e inspirada. Sua criatividade é tão abundante que ela passeia por várias disciplinas artísticas. Além de cantora, compositora e produtora, a gracinha canadense está atrelada ao cinema, arte, e design.  Em termos musicais, Maylee Todd combina formas orgânicas e eletrônicas e frequenta vertentes como o Funk, Soul, Boogie, Disco, Indie e até um pouco de Pscicodelia.  "Escapology". é totalmente independente. Produzido e composto pela própria
Maylee Todd com os dois pés nos Anos 70. É adorável e gostoso de ouvir do começo ao fim. Tem espírito livre nas suas composições e até uma certa picardia. Sim o álbum é bem humorado e altamente charmoso. Tem muito sabor assim como sua autora. É colorido, diferente e se destaca nesta paisagem musical pasteurizada. Destaques para as faixas "Baby's Got It", "Do You Know What It Is",  "First And Last","Did Everything I Could' , "I Can't Stand It" e "Hieroglyphics".

8)
The Foreign Exchange - Love In Flying Colors

 
 
 
 


Já não é de hoje que a dupla Phonte e Nicolay vem inovando no R&B com suas idéías difernetonas e eletrônicas dando mais sabor a uma vertente que nos últimos anos se rendeu a banalidade e ao descartável. Mas esses caras aí podem ser chamados de heróis da resistência. The Foreign Exchange é especialista em R&B refinado, alternativo e inteligente. Eles misturam elementos de raíz da música negra com música eletrônica e Hip Hop. E esta receita resulta numa música extremamente forte e saborosa. Isso fica evidente no seu 4º álbum "Love In Flying Colors" com músicas realmente belíssimas e colaborações cirúrgicas de Sy Smith, Carmem Rodgers, Eric Robertson, Carlitta Durand, Jeanne Jolly, Gwenb Bunn e Shana Tucker. "Love In Flying Colors" é um caldeirão de ótimas idéias sonoras para o R&B e Soul que transcende seu próprio tempo e dá um pontapé no traseiro da música Black fabricada. Tem um som refrescante, progressivo com Phonte dividindo os vocais na dose exata. Destaque para as faixas  "Call It Home"( a melhor),  "Right After Midnight", "The Moment"  "Dreams Are Made For Two",  "If I Knew Then" e a romântica e linda "Listen To The Rain" .

9) John Legend - Love In The Future

 
   
 


O álbum "Love In The Future" é muito mais do que o 5º álbum deste artista completo que leva o nome de John Legend. Ele simplesmente coloca o artista como o melhor da sua geração em termos da Soul Music moderna. Depois de respirar novos ares ao lado do The Roots no irregular álbum "Wake Up", John Legend volta às suas origens que é falar de amor. Ele é um romântico incurável e o que é melhor, jamais caiu na pieguice ou naquela música adocicada que dá até cárie. Sua música tem identidade e intensidade. O álbum "Love In The Future" é bom demais. Mesmo não tendo uma "P.D.A."da vida, tem momentos realmente belíssimos. Como na parceria saborosa com Seal, ou na batida excêntrica e intensa de "Made To Love". Aos 34 anos o sucesso de Legend é basicamente inabalável. Ele consegue fazer dinheiro sem entregar a alma. Como ele mesmo disse em recente entrevista que é muito bom poder revigorar a Soul Music clássica sem precisar apelar ao sexicismo.  A produção  ficou a cargo dos serus parceiros velhos de guerra Kanye West e Dave Tozer. Destaque para as faixas "Made To Love", "Open Your Eyes",  "Tomorrow", "We Love It", "Hold On Longer", "You & I" e a estonteante "Wanna Be Loved" John Legend ainda não é uma lenda. Mas é craque.

10)
Helena Jesele - Sweet Sticky Fix

 
 
 
 


Ela é gata, tem vozeirão e britânica. Ela é Helena Jesele que lançou em 2013 seu álbum de estréia, o ótimo "Sweet Sticky Fix", que entre tantas coisas boas vem assinado por Paul O'Duffy que trabalhou em Back To Black com Amy Winehouse, e a turma do Truth and Soul responsáveis pela produção de ninguém menos que Aloe Blacc. Ou seja, além do talento natural desta garota de Manchester, ela surge muito bem amparada em termos musicais. Talvez até por isso "Sweet Sticky Fix" supreende do começo ao fim. É um discasso cheio de influências sessentistas e setentistas e que exala música negra por todos os poros. O álbum é muito bem produzido. Tem uma qualidade sonora esplêndida. Os arranjos são sofisticados e inteligentes e claramente demonstra o amor pela música negra. É simplesmente delicioso ouvir a abundância de metais e cordas nas faixas. Fora as partituras orquestrais de muitas canções. Também gostei do fato de que a maioria das músicas são sobre o lado mais sombrio do amor - por exemplo, obsessão, decepção, frustração. Destaque para as faixas "Lovesick Avenue", "Sun Is Rising", "Let The Game Begin", "Pretty Pretty Lights", "Higher Mountains", "Smash My Heart" e a maravilhosa "Girl In London". Enfim um grande album de Soul.



Sérgio Scarpelli