05/12/2011

Mr Groovesan

Shuya Okino do Kyoto Jazz Massive volta com o álbum solo “Destiny” que nada mais é do que uma aula de groove bom.
 
 
 
 

Quem me acompanha há tempos sabe que groove bom, cheio de elementos black, vindo lá da Terra do Sol Nascente não é mais nenhuma novidade. E já deixou até de ser curioso e insólito. Há tempos a cena dance japonesa é criativa, bem feita e balança o lado ocidental do mundo.

E falar de Shuya Okino já deixou de ser também algo inusitado porque há tempos este cara com seu Kyoto Jazz Massive tem prestado altos serviços a vertente. É o Mr Groove de olhos puxadinhos. Talentoso, simples e com uma sonoridade fantástica.

Mas parece que surpreender é o legado deste japa. Mesmo sempre esperando coisas boas dele, fiquei de boca aberta ao ouvir seu álbum solo que leva o nome de “Destiny”. Um álbum simplesmente impecável. Um dos melhores do ano em termos de groove definitivamente.

E fora o conteúdo musical que é esplendoroso, nota-se o cuidado que Shuya Okino teve pra lançar este álbum. O álbum físico vem com um encarte simplesmente fabuloso e informativo numa edição pra lá de luxuosa. A embalagem é quase tão boa quanto o resto.

Mas falando de música que é o que interessa, Shuya Okino afastou um pouco as nuances de Brooken Beat tão presentes na obra do Kyoto Jazz Massive. Ele aposta mesmo no velho e bom Acid Jazz e na House. Vertentes que tem a música black como sustentáculo.

Não que seja um álbum retrô. E está longe disso . É modernoso da primeira até a última nota. Mas escalar cantoras com N’Dea Davemport em três faixas escancara a fonte que Shuya bebeu para fazer “Destiny”. Ou seja, Funk, Soul, Disco e Boogie com lampejos de Jazz dão o tom ao álbum.

Completam o excelente casting de vocalistas Navasha Daya do Fertile Ground, Diviniti que como o próprio nome indica tem uma voz divina e Pete Simpson, que é uma espécie de arroz de festa em tudo que é álbum de produtor que precisa de uma voz negra masculina.

Faixas 5 estrelas é o que não faltam em “Destiny”. Impressionante a coleção de músicas boas que temos aqui. A começar  por “Still In Love” o primeiro single lançado e que tem Navasha Daya dando um show de interpretação. Tem horas que a música é realmente emocionante.

Outro escândalo de música é “Give Your Love A Chance”. Um Acid Jazz de primeira grandeza que hea muito tempo eu não ouvia. Diria até que ela põe no bolso as últimas produções Jean Paul Maunick. Só o comecinho com uma guitarrinha no melhor estilo Boogie já vale a m´suica

E não para por aí. Temos também “Sun Will Rise” com a colaboração de Diviniti. Um groove forte e poderoso. “Look Ahead' com a diva do Brand New Heavies, a cantora N’Dea Davemport é algo de muito bom nesta vida. Outro Acid Jazz como há muito não se ouvia.

É também com a cantora Diviniti outra pérola do álbum, a música “Take A Look At Yourself” que tem uma metaleira impressionante, além de um teclado alucinante.  “Let Nothing Cange You” com Pete Simpson é maravilhosa. Resgata aquele Funk Groove do início dos anos 80.

Enfim temos aqui um dos melhores álbuns do ano disparado. Altamente recomendado.



Sérgio Scarpelli