20/05/2021

Prince Eternamente

Ele já quis ser apenas um símbolo indecifrável, já quis ser chamado de O Artista, mas na verdade gênio da música é a melhor definição para ele.
 
 
 
 

Prince
um dia já quis ser conhecido atravês de um símbolo indecifrável. Na verdade foi uma jogada de marketing para poder continuar trabalhando enquanto brigava na justiça com a Warner. Mas realmente ele tinha um estilo indecifrável. Nada parecido, nada comparável.

Sua música mescla Funk, Soul, Rock Psicodélico, Jazz, New Wave, Hip Hop, e Pop. Seu jeito de se apresentar tem momentos de James Brown, mas também tem momentos de Jimmy Hendrix e Michael Jackson. Suas músicas sempre supreenderam e um álbum nunca se pareceu com outro.

Talvez a melhor definição para este artista seja o estilo Prince e a música Prince. Nestas últimas 3 décadas ele provou em cada álbum e em cada show que ele é único. Um gênio da música. Perfeccionista, egocêntrico, criativo, talentoso e excelente manipulador de sua própria imagem.

 
 
 
 

Musicalmente Prince criou sozinho o som de Mineápolis. Ou seja, um Funk cheio de elementos de outras vertentes feito com sintetizadores, bateria eletrônica e sua guitarra como fio condutor das melodias. E um jeito de cantar só dele usando e abusando dos falsetes e gritinhos.
 
Prince era uma artista completo. Compunha e produzia todas as suas músicas. Também tocava todos os instrumentos em seus álbuns. Era extremamente versátil porque além disso cantava, dançava e tinha uma perfomance no palco extraordinária.

No último dia 21 de abril Prince Rogers Nelson nos deixou. Com mais de 25 álbuns gravados, mais de 100 milhões de cópias vendidas, com 7 Grammys, dezenas de hits e uma fortuna estimada em mais de 1 bilhão de reais. Um músico facilmente decifrável como gênio eterno.

 
 
 
 

A Carreira

Prince
começou sua carreira no final dos anos 70. Em 1978 gravou “For You” no furor da Era Disco. Prince não usou nenhum músico para gravar. Numa época que não existia samplers, ele teve que tocar 23 instrumentos sozinho. Compôs 99% das músicas e produziu todas.

Em 1979 lançou seu segundo álbum com apenas seu nome. Cravou dois hits “Why You Wanna Treat Me So Bad?” e a magistral “I Wanna Be Your Lover” que foi a primeira música que eu ouvi do Prince na vida. Talvez esta música possa ser encarada como pedra fundamental de sua carreira.

Em 1980, Prince lança “Dirty Mind” onde estreou sua vencedora  parceria com a tecladista Lisa Coleman e seu som foi rotulado de como "punk funk". Engraçado que o Ricky James também era conhecido por produzir este tipo de Funk e Prince abria os shows dele.

 
 
 
 

Em 1981 Prince lança o fabuloso “Controversy”. O primeiro grande álbum de Prince. Sob total influência ainda da Disco Music, Prince fez um álbum absolutamente negro e dançante, balançando os ombros para quem queria por que queria enterrar o som da Disco para sempre.

Em 1982 Prince dá a primeira grande virada de sua carreira lançando o álbum “1999” que tornaria o baixinho de Mineápolis um dos maiores artistas negros da época. Vendeu mais de 10 milhões de cópias e as faixas “1999” e “Little Red Corvette” se tormaram hits nº1.

Dois anos mais tarde Prince dá a segunda e definitiva guinada na sua carreira lançando o álbum e o filme quase autobiográfico  “Purple Rain”. Aí já  com a banda The Revolution que além de Lisa Coleman tinha a bela guitarrista Wendy Melvoin. Prince aqui se tornaria superstar.

 
 
 
 

O álbum "Purple Rain" vendeu mais de 20 milhões de cópias só nos Estados Unidos e ficou 24 semanas consecutivas na parada do Bilboard 200. O filme arrecadou somente nos EUA, 80 milhões de dólares nas bilheterias. E fez de Prince um artista conhecido no mundo inteiro.

"When Doves Cry" e "Let´s Go Crazy" chegaram ambas no topo dos singles dos EUA. “Purple Rain” ainda abocanhou um Oscar de melhor trilha sonora de filme, e na época era o álbum preferido de ninguém menos que Michael Jackson que rasgava elogios ao baixinho.

Em 1985, Prince lança “Around The World In A Day” dos hits  "Raspberry Beret" e “ Pop Life” e um ano depois, grava “ Parade ” que atingiu os 12 milhões de cópias vendidas e que tem o maior hit mundial da carreira de Prince, a música "Kiss" que dispensa maiores apresentações.

 
 
 
 

Logo em seguida Prince lança sua obra prima, o álbum duplo “Sign O´The Times” que entrou para a lista dos 100 melhores álbuns de todos os tempos da Rolling Stone e da revista Time. Mesmo sem um grande hit Prince aqui  beira a perfeição principalmente em “Hot Thing”

Daí pra frente Prince alternou bons e maus momentos. Se bem que um Prince regular é muito superior a maioria. Mas sua demorada briga com a Warner e aquela história de ser um símbolo fez  Prince lançar muita quantidade de músicas mas nem sempre tão inspiradas.

O bom é que não parou de inovar. “The Black Album”, “ Lovesexy” , “Batman”, “Graffiti Bridge”, “Diamonds And Pearls”, "The Gold Experience" “Emancipation”, “Musicology”, “3121”, “Planet Earth”, "Art Official Age" são até álbuns menores, mas sempre tem alguma coisa fora de série.

Prince se foi e deixa uma lacuna. Pois não sei se hoje o mercado musical como está absorva um gênio tão único quanto ele. Prince conseguiu fazer sucesso fazendo o que acreditava. Lutou bravamente contra a indústria da música. E seu som sempre foi prioridade. Vai deixar saudades, mas continuará etermamente por aqui.


Sérgio Scarpelli