05/11/2008

Conheça um pouco mais sobre Donnie, um grande talento da cena black de Atlanta

Entrevista com Donnie

 
 
 
 
Já não é de hoje que o Jazzmasters vem falando do trabalho de Donnie. Uma espécie de Stevie Wonder da nova geração graças ao timbre de voz parecido, mas que ao mesmo tempo tem uma personalidade única e um trabalho realmente inovador. Donnie é um digno representante da ótima cena black de Atlanta. Nesta entrevista que ele concedeu a Emmerald do site dancemusic.about.com, dá pra gente notar que o cara tem boa cabeça não só para fazer música. Donnie é bem pé no chão e gosta de retratar a realidade, Como ele mesmo diz, a maioria dos artistas são personagens, e Donnie é o que é.

Emmerald: Você é de Kentucky, não é mesmo? Quando chegou em Atlanta?
Donnie: Em 1983, ainda era uma criança com apenas 9 anos de idade.

Emmerald: Você foi um dos primeiros representantes da cena soul de Atlanta, que começou a borbulhar nos anos 90 no famoso Ying-Yang Café. Muita coisa mudou depois disso mas você continua sendo um dos maiores expoentes deste movimento. Continua envolvido?
Donnie: Sim e cada vez mais. Vivo dando conselhos aos novos artistas que surgem, dizendo o que fazer e principalmente o que não fazer. Minha maior torcida é que eles atinjam um sucesso de uma India Arie por exemplo e que o som de Atlanta se espalhe cada vez mais pelo mundo.

Emmerald: Qual é seu artista preferido desta nova cena soul de Atlanta?
Donnie: Rahbi, e não é porque é meu amigo. Realmente eu amo o som que ele faz. Adoro PJ Morton e Lizz Wright que ficou um minutinho só em Atlanta mas valeu cada segundo.

Emmerald: O soul de Atlanta tem um energia e uma criatividade for a do comum. Atlanta é um dos poucos lugares hoje em dia que você tem uma coletividade que trabalha a black music. Claro não chega a ser o que foi a Filadélfia ou Detroit, mas o som é realmente único.
Donnie: Concordo com você. Eu acho que isso ocorre por aqui porque Atlanta é uma cidade do sul que atrai muita gente diferente. E isso produz uma energia diferente também. Uma diversidade maior de idéias musicais. É histórico que no sul dos Estados Unidos se cria música boa. Se não fosse o sul não existiria nem o jazz e nem o blues.

Emmerald: Vamos falar  um pouco do novo  album, "The Daily News". Você parece mais maduro.
Donnie: Com certeza. Sinto-me muito mais preparado hoje em dia para encarar a vida. E até  preparado para divulgar um trabalho. Dar entrevistas, ir as estações de rádio e agradecer que elas estão tocando minha música. Estou mais calmo com relação ao sucesso. Antigamente tudo parecia muito mais confuso.

Emmerald: "The Colored Section" foi lançado pela Giant Step e Motown estou certo?
Donnie: Exatamente.

Emmerald: E "Daily News" foi lançado pela Soul Thought. Qual a razão da mudança de selo?
Donnie: A Motown passou por muitas mudanças, e depois de inúmeras reuniões eles decidiram me liberar. Então fiquei sem gravadora. Aí Craig Bowers, Presidente da Soul Thought me ligou e acabamos fechando negócio. Isso foi em 2005.

Emmerald: Daily News é um álbum com muito teor político e tem um tom ativista. Você é um artista/ativista?
Donnie: Pra falar bem a verdade eu faço música para diversão. Eu canto aquilo que eu penso. Eu não sou o tipo de pessoa que gosta de mentir. Muitos artistas são na verdade personagens. Eu não consigo. Quando você ouve o disco de Donnie você sabe exatamente o que Donnie pensa e é. Eu gosto de ser natural, de não forçar nada. Eu faço minha música e a única coisa que eu espero é que as pessoas gostem dela.

Emmerald: Mas fora da música você é ligado a algum movimento social ou político?
Donnie: Não, mas não sou alheio a realidade. Posso dizer que tenho meu próprio movimento social e político. Se eu vejo um sem teto passando fome, ou fico sabendo de uma criança que foi morta brutalmente, eu posso escrever uma música sobre isso e fazer um bom negócio com esta música, doando parte dos lucros.

Emmerald: Falemos agora então sobre sua agenda. O que você fará nas próximas 6 semanas e nos próximos 20 anos?
Donnie: Um monte de coisa. Ainda estou na fase de promoção do disco. Semana que vem estarei na estação de rádio de Stevie Wonder na California. E isso é muito bom. Devo cantar algumas músicas para promoção e quero também mostrar meu musical "Why The Cock Crows" que eu escrevi junto com minha madrinha, Janice Whatly. Estou pensando em fazer uma trilha sonora para um filme, gravar um disco ao vivo e fazer um disco de remix.

Emmerald: Fale-me mais sobre este seu musical.
Donnie: "Why The Cock Crows" responde a questão como um homem e uma mulher não conseguem viver juntos durante muito tempo. É um problema real e que já existe há muito tempo. Eu procuro dar uma outra perspectiva para o assunto.

Emmerald: É uma questão difícil?
Donnie: Muito difícil. Mas é bem bacana explorá-la.

Emmerald: Mas no que você está trabalhando agora?
Donnie: Na trilha sonora, que já está pronta aliás.

Emmerald: Uma última pergunta. Com quem você gostaria de trabalhar?
Donnie: Missy Elliott e Timbaland.

Emmerald: Sério?
Donnie: Lógico! Eles são diferentes e eu gosto disso.

Fonte: dancemusic.about.com
Entrevista: Emmerald
Versão e texto: Sérgio Scarpelli

30/11/2007 01:41:33