24/09/2009

Tributo ou Oportunismo?

Com o lançamento da série "Michael Jackson: The Remix Suite", esta pergunta insiste em ficar no ar.
 
 
 
 

Um artista do quilate de Michael Jackson merece todo tipo de homenagem, disso eu não tenho dúvida. Até acho que precisou o Rei do Pop morrer para que muitos reconhecessem que ele foi um cara muito a frente do tempo e realmente deixou um legado fantástico na música. Cada vez mais se tem noção da grande perda.

Mas a morte de Michael Jackson também tem significado ótimos negócios para a indústria da música. Conseguiu até tirar das catacumbas LaToya Jackson, Jermaine Jackson e por aí vai. E como sua morte realmente movimentou o mercado da música, proliferam os lançamentos de coletâneas de sua obra.

Para ter uma idéia deste  verdadeiro boom a Sony Music que detém os direitos das grandes obras de Jackson sob a chancela da Epic Records, aumentou sua participação semanal no mercado em 40%. Ao todo, a gravadora já vendeu mais de 18 milhões de álbuns do astro mundialmente desde sua partida

Mas quem está abusando de lançar compilações de Jackson é a gravadora Universal que hoje detém o catálogo da Motown. Agora é a vez da série “The Remix Suite” que nada mais é do que o material de Michael Jackson na época da gravadora de Detroit, remixado por vários DJs renomados.
 
Não sei se foi a pressa em lançar logo coisas novas de Michael Jackson, ou mesmo se as gravações originais são tão antológicas que não soa bem ouví-las de outra forma, mas “The Remix Suite” deixa muito a desejar. Diria até que tem coisas grotescas feitas a partir da obra de Michael Jackson.

Mas é lógico que tem exceções como por exemplo o remix de “I  Want You Back” feito pelo Dj Dimitri From Paris. Ele sim conseguiu manter a essência do som original e traz algo de novo e saboroso para os dias de hoje.  Fora o seu talento, Dimitri antes de mais nada demonstra respeito pelo ídolo.

Outro trabalho bom é de Steve Aoki para “Dance Machine”. Por mais que abuse da eletrônica ele manteve a aura da música. O trabalho feito em “Ben” por Konvict também é digno de louvor. Já Dallas Austin, David Morales, The Neptunes, Frank Knuckles e outros mais, decepcionam bastante.

Pela falta de imaginação de “The Remix Suite” a pergunta inicial está mais que respondida. O Rei do Pop merece bem mais!


Sérgio Scarpelli


Acesse http://classic.motown.com/