19/11/2021

The Philly Sound

Depois de Detroit e Mênfis, foi a vez da Filadélfia revolucionar a música negra e dominar a cena durante toda a década de 70.
 
 
 
 

Não há a menor dúvida que a gravadora  Motown da cidade de Detroit revolucionou a música negra tornando-a algo realmente consumível para o mundo Pop. E que a Stax da cidade de Mênfis caminhou na mesma trilha, mesmo fazendo um som mais de raiz.

Só nestes dois pólos foram revelados artistas do quilate de Stevie Wonder, Marvin Gaye, Diana Ross, Isaac Hayes, Otis Redding, Michael Jackson, Smokey Robinson, Rufus Thomas, Booker T., Eddie Kendricks e muitos outros. Estava aberta a porteira para outros passarem.

E foi o que fez os produtores Kenneth Gamble e Leon Huff ao criar na cidade da Filadélfia um novo som  que mais tarde seria chamado de Philly Sound ou Philly Soul que simplesmente abriu o caminho para a febre Disco se espalhar pelos Estados Unidos.

Assim como na Motown, a Philly Soul era idelaizada e executada por praticamente um único time de músicos como Earl Young (The Trammps), Vicent Montana Jr (MFSB e Salsoul Orchestra), Norman Harris, McFadden & Whitehead e Tindal TJ. Realmente gênios do groove.

 
 
 
 

Criando uma sonoridade própria, abusando das cordas e de uma batida chamada "Four-to-the-floor", a Philly Sound foi uma febre tão grande e avassaladora que até estancou a escalada de sucesso da Motown nos Anos 70. Com certeza roubou muitas noites de sono de Berry Gordy.

E como suas antecessoras, revelou grandes artistas como Teddy Pendergrass, The O'Jays, Harold Melvin & The Blue Notes, First Choice, Evelyn "Champagne" King, The Trammps, Billy Paul, Loleatta Holoway, MFSB, Ritchie Family, Salsoul Orchestra e por aí vai.

Fora isso a Philly Soul acabou atraindo outros artistas negros que começaram a adotar a Filadélfia como sua terra, como Lou Rawls, Jean Carn, Eddie Kendricks, Patti Labelle e até os irmãos Jackson que gravaram dois álbuns chancelados por Gumble & Huff.

Até David Bowie entrou na dança reverenciando o movimento com dois álbuns antológicos "Young Americans" e "Thin White Duke". Ou seja, aquele Som da Filadélfia era realmente algo tão rico musicalmente que ninguém queria ficar de fora. Nem os branquelos de alma negra.

 
 
 
 

A gravadora responsável por todo este barulho foi a Philadelphia International Records de Gamble & Huff. Mas com o passar do tempo outros selos  e gravadoras foram criadas como Gold Mind de Norman Harris e a inesquecível Salsoul Records de Vicent Montana Jr.

Infelizmente pelos custos elevados na produção e por estar atrelada até os ossos com o movimento da Disco Music, a Philly Soul foi perdendo o fôlego durante os Anos 80. Mas deixou a sua semente para outros artistas emergirem como Jill Scott, The Roots, King Britt ...

Enfim, música boa nunca acaba. Independentemente de moda, ela será eternamente boa!

 
   
 


Sérgio Scarpelli