17/02/2011

Incognito Especial

Com 30 anos de estrada a banda inglesa de Jean Paul “Bluey" Maunick tem uma sonoridade única e é sinômimo de música boa.
 
 
 
 

Oficialmente o Incognito foi fundado em 1980 graças a inquietude de seu líder e arquiteto Jean Paul "Bluey" Maunick. Até então ele tinha tido uma vitoriosa passagem pela fantástica banda de Jazz Funk chamada Light Of The World ao lado do saudoso músico Paul “Tubs” Willians.

Apesar de ter sido influencidado por nomes de peso da música como Stevie Wonder, Marvin Gaye, Santana, Earth Wind & Fire e Kool & The Gang, Jean Paul "Bluey" Maunick se inspirava mesmo era nas bandas da cena black londrina como Gonzales e FBI.

Mesmo com o sucesso do Light Of The World no final dos anos 70 e começo dos anos 80, Jean Paul queria levar sua música para níveis maiores. Ele queria ser produtor, compositor e um dos músicos da banda. E assim fundou o Incognito junto com instrumentistas de primeira linha.

 
 
 
 

No baixo chamou seu amigo de outros tempos Paul Tubs, para o sax George Lee, para a bateria Jeff Dunn,  e para os teclados  Gee Bello e em 1981 lançou seu primeiro álbum, o instrumental “Jazz Funk” que ainda tinha convidados de peso como Vin Gordon por exemplo.

Jean Paul sempre foi defensor ferrenho da música criada e executada  por músicos  de verdade.  Ele acreditava que assim poderia separar claramente  a boa música da música ruim. E assim formou toda a ideologia que conduz sua banda nestes últimos 30 anos.

No decorrer da  década de 80 cada um dos músicos que compunham o Incognito seguiram rumos diferentes. Mas Jean Paul não desistiu do seu ideal e manteve o Incognito mesmo que adormecido. Apenas se dedicou mais a sua veia de compositor trabalhando com Marcus Miller e outros.
 
O Incognito que a Gente Conhece

Tudo o que eu escrevi até agora não acompanhei de perto. Mas de 1991 pra frente tudo que diz respeito ao Incognito está quente na minha memória pois o Incognito foi uma espécie de redenção para quem amava o groove dos anos 70 e começo dos anos 80 como eu.

Esse som foi chamado de Acid Jazz. Uma espécie de Jazz Funk revisitado com nuances de Disco Music e Hip Hop para tocar em Clubs. Começou a fazer barulho em Londres lá pelo final da década de 80 com os DJs Norman Jay, Gilles Peterson e Patrick Forge,

E não coincidentemente foi  Gilles Peterson que convenceu Jocelyn Brown a cantar a música “Always There” do Incognito. O primeiro hit da banda que também teve a ajudinha de um remix simples de David Morales que começou a bombar em tudo que é lugar.

 
 
 
 

O sucesso de “Always There” viabilizou o segundo álbum da banda  e primeiro sob a chancela da Talking Loud chamado “Inside Life” que além desta pedrada histórica, tinha também a maravilhosa “Crazy For You” com vocais de uma cantora chamada Chyna.

O álbum “Inside Life” fez o Incognito frequentar os Clubs, Charts e até invadir a cena  rentável do Jazz Contemporâneo Americano.  Isso fez com que a Talking Loud encomendasse o segundo álbum para Jean Paul e assim nasceu “Tribes, Vibes and Scribes”.

Apesar de amar de paixão “Always There” e “Crazy For You”, para mim “Tribes, Vibes and Scribes” é a pedra fundamental do som do Incognito que dura até hoje. Prrincipalmente porque foi aqui que iniciou a parceria de Jean Paul com a exímia cantora americana Maysa Leak.

 
 
 
 

E não dá pra pensar em Incognito sem pensar em Maysa Leak. Ela é a voz do Incognito assim como N”Dea Davemport é a voz do The Brand New Heavies. Por mais que tenham feito e façam parte da banda outros notáveis vocalistas. Maysa é Incognito e vice-versa.

“Tribes, Vibes and Scribes”
também rendeu ao Incognito o segundo grande hit da banda. Um cover de “Don't You Worry 'Bout A Thing” de Stevie Wonder, aqui extramente bem regravado e cantado com maestria por Maysa que supera até a versão original do gênio.

Nos mesmos moldes e na mesma vibe nasceu  em 1994 o 4º álbum da banda “Positivity”. Para mim até hoje é o Incognito na sua melhor forma. É Maysa Leak na sua melhor forma. E olha que os caras fizeram álbuns bons. Mas nenhum supera Positivity.

 
 
 
 

É um álbum que tem junto as faixas  “Where Do You Go From Here”“Still Friend Of Mine”, “Do Right”, “Pieces of A Dream”, “Talkin' Loud”, "Givin' It Up" e “Step Into My Life”. Muita inspiração e muita música boa num único lugar. Acid Jazz na veia.

Um ano depois Maysa Leak começou a se dedicar a sua carreira solo e não fez parte do também discasso “100º and Rising”. Aqui temos um Incognito bem mais dançante e com um time de vocalistas como Joy Malcolm, Pamela Anderson e Barry Stewart.

Outros álbuns se seguirram : “Beneath The Surface”(1997) “No Time Like The Future” (1999),  “Life, Stranger Than Fiction” (2001), “Who Needs Love” (2002) ,  “Adventures in Black Sunshine” (2004),  “Eleven” (2005), “Bees-Things-Flowers” (2006)  e “Tales From The Beach”(2008).

Até culminar neste último “Transatlantic RPM” que além de comemorar os 30 anos da banda, teve convidados de peso como a diva Chaka Khan, Christian Urich, Leon Ware, o italianão Mario Biondi, e músico All Mc Kay do Earth Wind & Fire.

Como Jean Paul diz em seu site, ninguém fica mais de 20 anos na ativa lançando álbuns, fazendo shows e vendendo se realmente não tiver um som de qualidade que transcende a moda. E o Incognito é isso. Totalmente decifrável como sinônimo de boa música,

 
 
 
 


Sérgio Scarpelli