15/03/2009

James Taylor Quartet Plays Motown - Don't Mess with Mr T.

Ícone do movimento Acid Jazz, o quarteto inglês volta as origens revisitando ícones da Motown.
 
 
 
 

“Don’t Mess With Mr T”
parece um álbum oportunista já que estamos no cinquentário da Motown. Mas  está longe de ser. Primeiro porque foi lançado em 2007. E depois porque o James Taylor Quartet sempre teve suas influências no funk das antigas, principalmente da banda Booker T & The MG’s. Ou seja, os caras tem aval e competência pra fazer um tipo de homenagem como esta.

Mas claro que  há oportunistas neste caminho. O álbum passou meio que desapercebido há 2 anos e agora, já que o assunto Motown borbulha, está praticamente sendo relançado. E isso é ótimo pois se tem duas coisas que eu amo na música é o Acid Jazz e o som de Detroit. E garanto que esse álbum é um deleite. Não é saudosista e nem um tributo. É groove mesmo

No começo da década de 80, o inglês James Taylor mandava ver no órgão hammond na banda The Prisioners. Com o fim da banda, ele decidiu criar um projeto de música instrumental e em 1986 surgiu o James Taylor Quartet. Além de James no órgão, completavam o time Alan Crockford no baixo, o baterista Simon Howard e o guitarrista e irmão de James, David Taylor.

Além da sonoridade soul instrumental, o mundo de influências do James Taylor Quartet agregava muita coisa de Funk dos anos 70 (funk, jazz-funk), Jazz (fusion jazz, organ jazz, rare grooves), trilhas sonoras diversas (dos 60's e 70's) e o Rock que é a influência original de James Taylor.

Na década de 90, eles embaracaram na nova onda que surgia, o Acid Jazz. O James Taylor Quartet foi um dos primeiros grupos do selo londrino e acabou se tornando uma referência musical da própria vertente. Ou seja, produziam um som jazzy, funky, groovy, enfim, música classuda para dançar. Essa era a toada do Acid Jazz.
 
Falando deste álbum “Don’t Mess With Mr T” dá pra entender perfeitamente porque as apresentações ao vivo do James Taylor Quartet o tornaram um dos grupos mais bem sucedidos do movimento Acid Jazz. James é um músico fantástico e arrasa no Hammond. E suas construcões sonoras são sempre guiadas pelo bom gosto e pela alma Funk.

E aqui, o material que ele decidiu revistar é esplêndido. São 12 faixas escolhidas a dedo e que permitem uma releitura contemplativo e não modernosa simplesmente. Parece que James Taylor estudou música por música da Motown e escolheu aquelas que o permitiriam realmente somar alguma coisa.

A versão de um dos pirmeiros hits da história da Motown "Money (That's What I Want)" é simplesmente soberba! É um groove instrumental de cair o queixo. Isso sem falar nos clássicos "Got To Give It Up" de Marvin Gaye e “Machine Gun”dos Commodores,  outros momentos sublimes do álbum.

E em faixas que James Taylor decidiu colocar vocalistas líderes, ele escolheu praticamente a nata da soul inglesa como Omar, Donna Gardier e Hil St Soul. E temos assim versões antológicas de ' You Beat Me To The Punch" (Smokey Robinson), "Come See About Me" (Supremes) e "After the Dance" (Marvin Gaye).

Imperdível!

Sérgio Scarpelli