10/11/2008

Mais um grande talento brasileiro brilhando lá fora.

Entrevista Adriana Miki

 
 
 
 
Por Sérgio Scarpelli

Seus olhos puxados não escondem sua origem oriental. Sua simpatia latente não esconde o país que ela nasceu, o Brasil. E sua voz linda e suave não esconde que Adriana Miki nasceu para cantar. E para brilhar. Como tantos outros artistas brasileiros, Adriana cruzou o Atlântico para seguir sua carreira fora do Brasil. Está radicada em Portugal há 7 anos. Mas o legal desta história, é que isso não foi proposital. Simplesmente rolou. E a música popular brasileira e o jazz agradecem. Porque Adriana é um talento e tanto. Isso a gente pode conferir em seu álbum de estréia "Sashimiki" onde ela interpreta composições próprias e grande autores brasileiros, principalmente o pessoal lá do Clube da Esquina. Além da beleza da voz de Adriana, o quinteto que a a acompanha é afinadíssimo: Manuel Lourenço -  Sax tenor e Flauta, Paulo Barros - Piano. Jurandir Santana - Guitarra, Sérgio Crestana - Baixo e Joel Silva - Bateria. O álbum foi super bem recebido em Nova York e aos poucos na Europa também. E não é para menos. Trata-se de uma ode ao jazz, samba e bossa nova onde Adriana canta com o coração e revela sua alma. É um álbum pessoal e absolutamente lindo. Conheça um pouco mais sobre esta brasileira, numa entrevista que ela me concedeu diretamente de Portugal. 

Sérgio: Por que o Jazz?
Adriana: Meu pai sempre foi muito eclético e de tudo o que ele ouvia o que mais mexia comigo era o Jazz.Eu me identificava muito com aquela sonoridade. O Jazz é muito abrangente...

Sérgio: Por que cantar fora do Brasil?
Adriana: Na verdade cantar fora do Brasil não foi uma escolha.Simplesmente aconteceu. Quando vim pra Portugal ainda não cantava profissionalmente apesar de estar sempre próxima da música.

Sérgio: Então você não se sente uma exilada cultural?
Adriana: Não. Definitivamente não. Acredito que a música que eu faço eu também poderia estar fazendo no Brasil.

Sérgio: Quem são suas maiores influências?
Adriana: São tantas... mas de uma forma geral toda música que me toque o coração.Tudo o que eu tenho ouvido desde pequena reflete no que eu sou hoje como cantora. Burt Bacharach minha primeira grande paixão, Tom Jobim (O primeiro disco que eu comprei com a minha mesada "PASSARIM"), Milton Nascimento, Astor Piazzolla, Dolores Duran, Ella Fitzgerald, Nana Caymmi, Rachmaninoff... poderia ficar horas e horas citando todas as coisas que me inspiraram.

Sérgio: Como nasceu "Sashimiki"?
Adriana: Surgiu da vontade de dividir com as pessoas toda música que estava dentro de mim. Isso cada vez foi tomando uma proporção maior até se transformar num disco.

Sérgio: É verdade que você compôs uma de suas músicas na cozinha? Como foi isso?
Adriana: Inspiração pra mim funciona um pouco assim, sem hora nem lugar marcado.Ás vezes vem quando eu menos espero. E numa dessas, foi lavando a louça... não é um lugar muito pomposo, mas foi um momento especial mesmo!!!

Sérgio: Além de suas composições, você canta em "Sashimik" muitas canções do Clube da Esquina. Por que esta predileção mineira?
Adriana: Isso é mesmo por acaso.Na verdade não existe muito essa coisa geográfica. Tem músicos maravilhosos espalhados pelo mundo todo, mas parece mesmo que os mineiros tem cruzado muito meu caminho musical. Tem outro compositor mineiro, Léo Minax, presente no meu cd. Ele vive em Madrid e é o autor do tema Rojo y Blanco.

Sérgio: "Sashimik" foi muito bem recebido em Nova York. E na Europa?
Adriana: Estou trabalhando agora na divulgação do cd aqui pela Europa. Já fizemos algumas apresentações em Portugal e o cd tem sido bem recebido. Estamos também com alguma divulgação na Espanha e espero logo estar podendo apresentá-lo em outros países.

Sérgio: Você pretende lançá-lo no Brasil?
Adriana: Claro!!! O meu maior sonho é poder mostrar o meu trabalho no meu país.

Sérgio: O jazz nasceu nas camadas populares. Por que você acha que ele se elitizou tanto?
Adriana: Eu sempre me pergunto isso... sinceramente não sei dizer, não sei se são os próprios músicos, a indústria discográfica... Agora me parece que está popularizando um pouco... apesar de ainda estar muito elitizado.

Sérgio: Qual é sua música favorita de todos os tempos?
Adriana: Poxa... tanta coisa!!! Todo dia eu descubro uma coisa nova... Mas sem dúvida uma delas é a versão instrumental de Wives and Lovers do Burt Bacharach.

Sérgio: O que anda rolando no seu iPod?
Adriana: O songbook do João Bosco, Adéle, Bobby Mc Ferrin and Chick Corea "Beyond Words", Léa Freire "Cartas Brasileiras", César Camargo Mariano e Romero Lubambo "Duo", Esperaza Spalding.

Sérgio: Como você vê esta fusão da música eletrônica com o Jazz? Curte alguém deste estilo?
Adriana: Eu particularmente não gosto muito, mas se for usada com bom gosto é sempre interessante. Adoro por exemplo o E.S.T.

Sérgio: Como é que daí de Portugal você conheceu o Jazzmasters?
Adriana: Foi através dos meus amigos no Brasil.

Sérgio: Pra terminar, apresente Adriana Miki para os ouvintes do Jazzmasters?
Adriana: A minha melhor apresentação é a minha música .Ela fala tudo sobre mim... sobre a minha história... Sashimiki...

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14/08/2008 09:59:53