06/11/2008

Lina – Morning Star

Lina prova em novo CD que R&B atual tem salvação.

 
 
 
 
Desde que o R&B se enveredou definitivamente para os lados do pop, a qualidade começou a rarear. Não que não exista coisa boa.

Tem muita. Mas se a gente for levar em consideração o volume de músicas produzidas, 70% não é lá grande coisa. Tudo é muito igual e pasteurizado. Tem uma formulinha que a maioria segue e pronto.

Mas tem gente defendendo a vertente com unhas e dentes. Ou seja lembrando as origens do R&B que são o jazz, o soul e o gospel.

Lina com certeza é uma destas pessoas. Desde o começo de sua carreira, ela escolheu o jazz como base para seu R&B. E através dos tempos isso só se confirmou. Mesmo jovem, mesmo bela e mesmo soando pop em muitas vezes, Lina jamais abandonou sua proposta inicial. Ela só melhorou.

Prova disso é o terceiro álbum de sua carreira chamado "Morning Star". Lina lapidou seu trabalho e vem com um disco bem mais maduro. Com músicas mais pegadas. Realmente se formos ouvir seus discos anteriores ela exagerava um pouco nas incursões de swing dos anos 40. Isso em "Morning Star" é apenas um tempero e não um conceito.

O resultado é um ótimo álbum black. Sem nada açucarado demais.

Sem ser folclórico quanto aos elementos jazzísticos. Na verdade é um mistureba ótima de jazz, hip hop, gospel e soul music. As vezes Lina lembra Billy Holliday. As vezes lembra Jill Scott, Erikah Badu ou até Macy Gray.

Destaques para as faixas "Everyday" e "Feel The Love", que são de longe as melhores do álbum. Mas "Between us", "Gone", "Mr DJ" e "Change is a good Thing" não fazem feio. São ótimas também. Há salvação no R&B? Há sim. Lina e Alicia Keys que o digam.

Sérgio Scarpelli

20/05/2008 18:18:46