01/05/2021

O Príncipe da Motown

Pela sua beleza, charme e carisma o título de príncipe até que caiu bem. Mas pelo seu talento, melhor chamar de gênio.
 
 
 
 

Por Sérgio Scarpelli

No dia 2 de abril de 1939 nascia Marvin Pentz Gay Jr, mais conhecido como Marvin Gaye. Um dos maiores nomes da história da música negra e da própria música em si. Um artista que significou o próprio desenvolvimento do Rhythm’n Blues através de uma Soul Music sofisticada. Sua sensibilidade era algo fenomenal. Só não era maior mesmo que sua genialidade. Ele era cantor, compositor, produtor, multiinstrumentista e arranjador

Marvin Gaye conseguia expressar em sua música uma paixão descomunal. Ela era romântico, afetuoso, erotizado e ao mesmo tempo, engajado politicamente. Foi um dos primeiros, por exemplo, a abordar o tema ecologia. Piedade, piedade por mim, clamava ele.

Apesar de uma carreira de sucesso Marvin Gaye não deu muita sorte na vida. Perdeu sua parceira Tammi Terrel abruptamente. Teve um divórcio conturbado. Foi a falência. Tinha sérios problemas com o consumo de drogas. E sua vida curta terminou de uma forma trágica e insólita. Há 25 anos, um dia antes do seu aniversário , Marvin Gaye foi assassinado pelo próprio pai.

 A carreira de Marvin Gaye na Motown

 
 
 
 
No começo da carreira
 
 

Marvin Gaye começou sua carreira em um grupo de doo-wop chamado “Moonglows”ainda em sua época de colégio. Em 1961, com apenas 22 anos, foi contratado como bateirista de estúdio pela gravadora Motown de Berry Gordy. Gaye acompanhou grupos como The Miracles, The Contours, Martha and the Vandellas e The Marvelettes

Mas um ano depois já emplacava seu primeiro hit  “Stubborn Kind of Fellow”. A partir daí Marvin Gaye começava a se tornar uma das maiores estrelas da gravadora. Principlamente depois do estrondoso sucesso de “I Heard It Through the Grapevine” de 1963. Para se ter uma idéia este é o maior hit da Motown durante os anos 60. Foi superado mais tarde, em 1971, por ele próprio.

 
 
 
 
No auge nos anos 60
 
 

Marvin Gaye continuou na sua trajetória ascendente até que em 1967 ele a turbinou graça ao dueto com Tammi Terrel. Juntos gravariam muitos sucessos da Motown como " Ain't no mountain high enough“, "Your Precious Love”, "Ain't Nothing Like the Real Thing" e "You're All I Need to Get By." Infelizmente Tammi Terrel veio a falecer e deixou na terra um Marvin Gaye totalmente deprimido.

 
 
 
 
Sucesso com Tammi Terrel
 
 

Gaye mergulhou em um auto-isolamento e ficou sem se apresentar ao vivo por quase dois anos. Mas depois de seu sucesso produzindo os "Originals", Gaye estava confiante em criar sua própria gravadora. Como resultado disso, ele entrou nos estúdios em 1 de junho de 1970 para gravar a canção "What's Going On”. Gaye queria lançar  como single, mas Berry Gordy recusou-se, alegando que a canção não era viável comercialmente.

Gaye recusou-se a gravar qualquer outra canção até que o presidente da Motown cedesse, o que ocorreria em janeiro de 1971. O sucesso do single surpreendeu Gordy, que requisitou um álbum com canções similares.
Assim em 1971 nasceu sua obra prima, o álbum “What’s going on”. Um álbum de cunho politico que redefiniu o som da Soul Music.  É considerado um dos 10 melhores álbuns do Século 20. Foi realmente um divisor de águas.

 
 
 
 
Sua obra pirma
 
 

Dois anos depois, em 1973, Marvin deixou a política um pouco de lado, e  começou a falar de sexo. Desta sua decisão o álbum “Let’s get it on” foi lançado . Outra maravilha de disco que acabou se tornando seu maior sucesso comercial. 

A faixa título foi eleita pela revista Vibe, como a melhor balada do Século 20. Marvin conseguiu aí juntar elementos do funk com música romântica. Ela até hoje serve de referência para os astros de R&B. É a música mais “Segundas Intenções” da história. Ainda no mesmo ano lançaria seu dueto com Diana Ross que foi outro arrasa quarteirão.

 
 
 
 
Maior sucesso comercial.
 
 

Em 1975, Marvin Gaye começou a pensar em seu próximo disco solo, mas o divórcio com Anna Gordy tomou boa parte do seu tempo. O fim do casamento levou Gaye a várias audiências nos tribunais. O disco "I Want You" foi finalizado somente no ano seguinte.

Berry Gordy começou a insistir que Leon Ware devia se juntar a Marvin Gaye. Nas palavras do dono da Motown, Leon e Marvin, seriam a melhor dupla da música negra. Foi assim que Leon Ware fez parceria com Marvin Gaye no álbum “I want you”. Engraçado que estava tudo pronto para que este fosse o álbum de estréia de Leon Ware. Mas ele decidiu colocar nas mãos do mestre. A música” “I want you” chegou ao topo da parada R&B da Billboard.

 
 
 
 
Parceria com Leon Ware
 
 

Mais uma prova de que Marvin Gaye estava a frente do tempo, foi quando em 1977 lançou o single “Got to Give It Up". Foi sua única contribuiçnao para a Disco Music. E que contribuição. Se não bastasse ser uma música diferente de todas as outras no estilo, de chegar ao número 1 da parada, serviu como referência para Quincy Jones e Michael Jackson produzirem “Off the Wall” dois anos depois. Marvin ainda gravaria pela Motown “Here, My Dear”em 1978 e “In our Lifetime” lançado em 1981 a sua revelia, o que acabaria provocando sua saída da Motown.
 
O último grande sucesso

Marvin Gaye assinou com a Columbia Records e lançou em 1982 "Midnight Love". O disco incluía o grande sucesso "Sexual Healing", que lhe rendeu seus primeiros dois prêmios Grammy (de Melhor Performance R&B Masculina e Melhor R&B Instrumental), em fevereiro de 1983.

“Sexual Healing" se tornou uma música duplamente histórica. Primeiro porque marcou a volta triunfal de Marvin Gaye depois de um momento nebuloso no começo do anos 80. Segundo porque a fatalidade de sua morte precoce, fez de Sexual Heling seu ultimo grande hit.

Marvin foi introduzido ao Rock and Roll Hall of Fame em 1987. Mais tarde, também ao Hollywood's Rock Walk e, em 1990, ganharia uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood.